Conversa Eleitoral em Madri: Crianças imigrantes desacompanhadas.

Você não pode votar? Mas você PODE fazer parte da conversa!

Antes de mais nada, precisamos parar de chamar de menas as crianças imigrantes desacompanhadas. Esta é uma sigla para menores extranjeros no acompañados (menores estrangeiros não acompanhados) – em outras palavras, crianças que deixam seu país e viajam sozinhas sem a companhia de um adulto.

Nos últimos anos, a palavra menas tem sido apropriada pela extrema direita, que tem explorado sistematicamente a presença de crianças imigrantes desacompanhadas para criar uma cultura de xenofobia em torno da imigração em geral.

O partido de extrema-direita Vox lançou a campanha eleitoral mais agressiva já vista.

Na manhã de terça-feira, os trabalhadores que usam o metrô foram bombardeados com um cartaz gigante de Vox mostrando duas pessoas: uma mulher idosa e um menino encapuzado (os jornais espanhóis estão reportando amplamente que ele é um homem) com uma bandana cobrindo seu nariz e boca. O cartaz condenou os cuidados legalmente exigidos aos menores desacompanhados e após um protesto público foi solicitado que retirassem os cartazes do metrô e das estações de trem. Questões estão sendo levantadas sobre como foi permitido colocá-los em primeiro lugar. Mas, apesar de Más Madrid ter denunciado o cartaz ao Ministério Público, a propaganda racista de Vox continua mostrando seus dentes.

Na quarta-feira à noite, no debate eleitoral ao vivo na Telemadrid, a candidata do Vox, Rocío Monasterio, mostrou o cartaz para a câmera. O canal de TV permitiu que a propaganda abertamente racista e falsa se manifestasse e o debate continuou sem que o assunto fosse abordado.

As crianças não podem ser usadas como uma estratégia política para ganhar votos.

… explica a organização anti-racismo Ex-Menas Madrid, uma plataforma crescente que defende os direitos da geração mais jovem de imigrantes.

A maior nacionalidade é marroquina, com 68%, seguida por Guiné Conakry (8,4%), Argélia (5,2%), Mali (4,5%) e Costa do Marfim (3,5%). Cerca de 92% são meninos, apenas 8% são meninas. A maioria das crianças imigrantes desacompanhadas na Espanha chegam por mar, uma viagem perigosa que mata milhares de migrantes a cada ano. Eles estão escapando do abandono institucional e da falta de oportunidades educacionais e de trabalho nos seus países de origem. Uma vez aqui, tendo sobrevivido por pouco à viagem, eles se deparam com um conceito que não estavam familiarizados no seu país: o racismo, que é algo que os partidos de esquerda prometem combater.

Resposta de direita vs. esquerda:

A esquerda quer aumentar o número de escritórios que facilitem a inclusão e o empoderamento das crianças imigrantes desacompanhadas, bem como criar mais atividades socioculturais e esportivas como um fator chave para sua integração e oportunidades de vida. É crucial que os menores estrangeiros recebam cuidados o mais rápido possível para que, ao completarem 18 anos de idade, não caiam em um buraco e acabem desabrigados – como acontece com muitos deles.

Os partidos de esquerda planejam ampliar o direito de voto dos residentes nas eleições regionais (assim como a eleição de 4 de maio), instando o governo central a modificar a Lei Institucional da Representação do Povo (LOREG).

Os partidos de direita, por outro lado, querem fechar centros para crianças imigrantes, assim como centros culturais islâmicos, e cortar o financiamento para programas de integração. Eles não mostram sinais de recuo de sua retórica racista e estigmatizante em relação às crianças imigrantes; ao contrário, eles se aproximam cada vez mais de narrativas racistas e xenófobas que deveriam ser deixadas no passado.

  • Em quê estamos votando?
  • Para aumentar a ajuda e o apoio às crianças imigrantes!
  • Para manter a existência de centros de apoio!
  • Para permitir que os imigrantes votem!
  • Para acabar com o racismo!

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Traduzido por Twist Medeiros.

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